Fábulas do Mundo

A casa de Mazalu

 

 

Era uma vez um sapo que se chamava Mazalu. O sapo Mazalu vivia muito quieto debaixo de uma pedra, junto ao rio. Certa manhã, o sapo Mazalu saiu a passeio e encontrou o seu amigo tatu. O tatu chamava-se Pavio.
- Como vai, amigo Mazalu? Como tem passado?
O sapo respondeu:
- Vou bem, obrigado, amigo Pavio.
Disse, então, o tatu:
- Qualquer dia apareço lá por sua casa. Vou fazer-lhe uma visita.
O sapo tremeu. E sabe por quê? Ele não tinha CASA. Morava embaixo de uma pedra, num lugar frio e cheio de lama. Como receber a visita de um amigo elegante como o Pavio?
Nesse mesmo dia, o sapo tratou de arranjar uma casa onde pudesse receber a visita do tatu.
- MACACO, você pode fazer uma casa para mim?
- Ora, se posso! - respondeu o macaco.
E sabe o que fez o macaco? Arranjou um caixote sem tampa e desse caixote fez uma casa para o sapo.
- Agora, sim - disse o sapo - posso receber a visita do meu amigo tatu.
Mas o tatu, no dia da visita, ficou muito triste. Não podia entrar na casa do sapo. O caixote era pequeno; ele não cabia lá dentro.
- Amigo sapo - disse o tatu - a sua casa é, para mim, pequena e desagradável. Pensei que você morasse debaixo de uma pedra, junto ao rio. Era lá que eu queria jantar com você.


Moral da Estória:
Aquele que é feliz numa casa modesta, não precisa aparentar riqueza para impressionar AMIGO.

Malba Tahan
 

 

 

 

A bailarina

 

 

Uma patinha estava ensaiando balé ao som de "O Lago dos Cisnes" , quando sua colega de equipe a surpreendeu usando uma de suas sapatilhas preferidas...
- Quem lhe deu permissão para usar o que é meu? - perguntou a proprietária, autoritária. - Ninguém - respondeu humildemente a patinha, retirando as sapatilhas - eu só estava tentando sentir aquilo que você deve sentir quando está diante do público, sentindo o calor das luzes da ribalta...
- Quanta ingenuidade! - exclamou a outra patinha.
- Não pensei que você se zangasse...
Nisso, surgiu o patinho que contracenava com as duas; pondo, assim, fim às divergências.
- O que é meu, é meu. Tenho ciúmes, e pronto - dizia a patinha ofendida. E ficou a grasnar sozinha.
Todavia, o destino lhes havia reservado uma surpresa. Depois dos ensaios, quando saíam do teatrinho improvisado à beira do lago, a renitente patinha sofreu um acidente, e torceu uma de suas patinhas.
- Ai, que dor! - grasnou a pobrezinha, contorcendo-se toda - ai!... sem que alguém lhe solicitasse, a patinha, que anteriormente era repreendida, foi ao socorro de sua colega, aplicando-lhe, imediatamente, algumas massagens no machucado, fazendo desaparecer aquelas dores horríveis; alegando que tinha feito um curso de enfermagem, e que aprendera a fazer uso de seus conhecimentos...
Foi assim que a outra patinha aprendeu uma grande lição: que todos nós vivemos em função um do outro; que de nada vale alimentarmos sentimentos contrários dos grandes sábios, pois o próximo que um deles se referiu, é todo aquele que vive ao nosso lado: rindo quando sorrimos, chorando quando choramos e sofrendo quando a dor nos visita, sabendo que, no final de tudo, o amor sempre é vitorioso.
Até pareceu-me que aquela patinha conhecia os ensinamentos de Jesus!

Nilson Mello


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