Lendas Lusófonas

A origem da ilha do Timor

  

 Em tempos passados, vivia na ilha Celebes um crocodilo velho que não conseguia pegar peixes para se alimentar. Por isso, resolveu procurar por algum porco distraído nas margens para lhe matar a fome. Tanto procurou, sem nada encontrar, que acabou por cair exausto e entristecido, sem conseguir voltar para a água. Um rapaz que ia passando, penalizado, resolveu puxá-lo pela cauda e levá-lo até a água. Em retribuição, o crocodilo prontificou-se a levá-lo às costas sempre que necessário. Ambos tornaram-se grandes amigos, mas, apesar disso, ao sentir fome novamente, o crocodilo pensou em devorar o rapaz. Antes disso, porém, quis ouvir a opinião dos outros animais, que se mostraram revoltados com a ingratidão do crocodilo. De tanta vergonha, o animal mal-agradecido resolveu mudar-se par um local onde ninguém o conhecesse. Como o seu único amigo era o rapaz que o salvara, convidou para irem juntos em busca de um disco de ouro que flutua nas ondas. No meio do caminho, o crocodilo, cansado, precisou parar um pouco para descansar. Porém, não conseguiu mais seguir, pois se transformou em uma belíssima ilha. O rapaz tornou-se homem e viu, preso ao seu peito, o disco de ouro com o qual o crocodilo sonhara. Decidiu que viveria nessa ilha e a chamaria de Timor, que significa “Oriente”.


 
Lenda de Timor
 

 

A Lenda do Rio Júlio

 

 
Nas terras bem lá do Centro, onde o tempo é sempre quente e o ar se bebe como a água mais pura, um homem de rosto negro como a noite mais escura e de dentes tão brancos como a neve que jamais sonhou existir, sorria sempre com hora marcada e sentava-se sempre do mesmo lado da vida, olhando o rio, acreditando que o tempo era só dele… 
 
Contava aos netos da aldeia, que partilhavam todos os avós sem cobiça nem avareza, histórias muito, muito antigas, tão antigas que não era possível rememorar o fiozinho por onde se puxava o seu princípio… 
 
- Ela era uma morena bonita, bonita… Os olhos dela sorriam… Mas apesar da sua cor de chocolate, que era herança de um branco que se perdeu na sanzala, não encontrava o amor! Pai Katanganha, que fez a menina, queria dá-la a qualquer um, para receber o alambamento! Onde já se viu perder cabras e ovelhas, mesmo que pastassem somente nos sonhos de um Soba?!... Aka! Mas ninguém se prendia no coração da mulata e ela, tão triste, tão triste, ia cozinhando as ideias, a ver se do matete que lá colocava escorria melhor pensadura. E se alembrou então de consultar as estrelas, para ver se lhe diziam a verdade da sua vida. Olhou, olhou e nada! Puxa! Não podia ser no escuro que ia ver o amor; tinha de ter luz para o perceber… Alembrou-se, por isso, de ver na fogueira, na roda dos tchinganges e dos quissanges, onde estaria a sua verdade… Mas a luz era muita e as caras feias, feias… Não tinham amor para dar! Procurou o feiticeiro, que sabe falar com os espíritos, para perguntar o destino. Sentado no chão, de olhos bem fechados e no meio do fumo do tabaco que enrolava, andava perdido noutro mundo. E quem anda perdido não pode encontrar nada, porque não sabe quem é, nem para onde vai, né?!... Triste, triste, a mulata viu o sol nascer na beira do rio. Encheu a moringa, para dar de beber à sede e sentiu a força da água, correndo para lá do mundo… Pensava, pensava e nem dava conta… Ao lado, mesmo ali, um homem de rosto negro como a noite mais escura e de dentes tão brancos, tão brancos, sorria… «Me dá um pouco de água, menina?!...» Ai, mulata bonita, perdeu-se de amores! Seus olhos sorriram e os dele também. Beberam da água do rio, juntinhos, juntinhos e sorrindo se foram para lá, na sanzala! 
 
- Como é, Acuco, que essa história tem fim? – perguntava um dos netos. 
 
- Fim?!... Não tem, não, kacuenje ! O rio não morre, é dono do tempo e o amor vive aqui, na beira do rio, à espera de quem o venha beber na moringa… Ele espera, espera… 
 

 
Lenda de Angola

A lenda das árvores gémeas

 

 
Nkatu e Nsanda são duas lendárias árvores gémeas, que partilham um mesmo caule, diferenciadas, porém, pela peculiaridade dos seus ramos e folhas. Localizadas na encosta do antigo morro de Porto Rico, junto ao palácio do governo provincial de Cabinda, a história das árvores gémeas vem de 1901, altura em que o saudoso ancião e sacerdote tradicional Tchi-Luemba Tchi-Tula Nkonko realizou naquele espaço um ritual implorando a Nzambi-Mpungo - Deus Supremo - a reposição das chuvas, que já não aconteciam há 4 anos em toda a zona Sul de Cabinda.
 
Sustenta a mesma história que foi a partir da realização desta cerimónia tradicional, em que esteve presente o antigo representante do governador de Angola em Cabinda, Henrique Quirino da Fonseca, que aquelas duas árvores se tornaram marcos de referência cultural, pelo impacto positivo que o ritual desencadeou na vida das populações locais, que logo depois do acto começaram a ter chuvas em abundância, livrando-se, assim, da prolongada estiagem e da penúria alimentar que se fazia então sentir.
 

 

 
Lenda de Angola
 

A Lenda da Noite

 

Quando a terra era muito jovem a noite e os animais não existiam. Havia somente árvores, plantas e pessoas. Nessa época, o sol brilhava muito forte. As pessoas estavam sempre cansadas porque não podiam dormir bem. As árvores eram murchas devido ao forte calor Somente a Cobra Grande que era uma bruxa podia fazer a noite aparecer. Ela era uma cobra muito grande que vivia perto do rio.
Guardava a noite no fundo do rio, dentro de um coco. A cobra gostava de ver as pessoas cansadas e sonolentas. Os índios imploravam para que ela libertasse a noite, mas era inútil. Um dia, a filha da cobra se casou. Como sua mãe, a bela índia não precisava da noite para descansar. Mas seu marido e as outras pessoas da aldeia viviam cansadas. Ela não gostava de ver este sofrimento. Então disse para seu marido que ela iria pedir a noite para sua mãe. A mãe nunca recusava seus pedidos. O marido da filha da cobra tinha três fiéis empregados. Ele os enviou para que fossem pegar a noite com a cobra. Imediatamente os três índios pegaram uma canoa e foram encontrar a Cobra Grande. Embora os três homens estivessem muito estafados, eles remavam velozmente. Quando as árvores viram a cena, perguntaram onde os índios estavam indo com tanta pressa. Quando as árvores souberam que iriam buscar a noite, começaram a dançar e a gritar de alegria. Os três empregados chegaram ao lugar onde a cobra vivia. Contaram a ela porque estavam ali. Ela não gostou da ideia de entregar a noite, mas a cobra nunca negava um pedido da filha. Outra versão: No começo do mundo só havia o dia. A noite estava adormecida nas profundezas do rio com Boiúna, cobra grande que era senhora do rio. A filha de Boiúna, uma bela, tinha se casado com um rapaz de um vilarejo nas margens do rio. Seu marido, um jovem muito bonito, não entendia porque ela não queria dormir com ele. A filha de Boiúna respondia sempre: - É porque ainda não é noite. - Mas não existe noite. Somente dia! - Ele respondia. Até que um dia a moça disse-lhe para buscar a noite na casa de sua mãe Boiúna. Então, o jovem esposo mandou seus três fiéis amigos ir pegar a noite nas profundezas do rio. Boiúna entregou-lhes a noite dentro de um caroço de tucumã, como se fosse um presente para sua filha. Os três amigos estavam carregando a tucumã quando começaram a ouvir barulho de sapinhos e grilos que cantam à noite. Curiosos, resolveram abrir a tucumã para ver que barulho era aquele. Ao abri-la, a noite soltou-se e tomou conta de tudo. De repente, escureceu. A moça, em sua casa, percebeu o que os três amigos fizeram. Então, decidiu separar a noite do dia, para que esses não se misturassem. Pegou dois fios. Enrolou o primeiro, pintou-o de branco e disse: - Tu serás cujubin, e cantarás sempre que a manhã vier raiando. Dizendo isso, soltou o fio, que se transformou em pássaro e saiu voando. Depois, pegou o outro foi, enrolou-o, jogou as cinzas da fogueira nele e disse: - Tu serás coruja, e cantarás sempre que a noite chegar. Dizendo isso, soltou-o, e o pássaro saiu voando. Então, todos os pássaros cantaram a seu tempo e o dia passou a ter dois períodos: manhã e noite.

Lenda do Brasil


Read more: https://estudamais.webnode.com/lendas/lendas-lusofonas-/